Sim, num sentido mais lato mas também mais abrangente, poder-se-á dizer que o fado comanda a vida. Não tanto no estrito sentido de de facto a comandar mas sim em relação ao incontrolável. Incluso quando esse incontrolável deriva do arbitrário actuar do homem, como aliás sempre, ou quase sempre, acontece.
Poucas são as coisas que se nos apresentam definidas. Ocorre-me a morte. Sei lá quais serão as outras. Saberão as vossas pessoas?
Na vida não há vaticínios nem profecias. Que venham os mais sábios poetas dos mais doutos oráculos, e nem assim o fado assumirá posição firme no chão do caso. Pois então do seu destino sabe cada um, e se não sabe que se diga alto e bom som, de si se depende e de si o fado brota. Lembrem-se então: cada sorte, cada agouro, cada fatalidade, cada porvir, não brota do nada. E se não brota só de quem tal lhe pertencer em quinhão, ao menos deste surde o fulcral.
Mas mal não há em que se queira acreditar nesse rumo já definido como se assim em verdade fosse… dorme-se melhor, mas chora-se o mesmo.

