25 maio 2007
Dosmalefícios?
O egoísmo e suas potenciais consequências nem sempre, ou raramente, beneficiam de igual forma as partes envolvidas. Os seus actuantes não passivos facilmente poderão estar envoltos por uma áurea de não tão instintivo egoísmo. Poder-se-á falar de diversos tipos de egoísmo? Ponderado, impulsivo, intrínseco...
Diligentemente exporei as variedades e suas características num futuro não tão próximo ou real... as almas que o vejam como conveniente poderão sugerir categorias não expostas.
Contudo... sigo.
O perverso que de tal fatalidade advém não será tão conveniente a um actuante como ao que sucumbe perante os interesses do primeiro. Ou seja, as ocasiões em que um ou uns beneficiam menos ou não beneficiam de todo, conduzirão a um natural maldizer não só do expedito mas também do seu instinto: o egoísmo. Tal crítica advém todavia da feição egoísta do prejudicado.
Falo então do egoísmo enquanto regulador social, moderador de relações e percursor de regras. Nato.
Não se pretende aqui advogar o egoísmo. Apenas perscrutar.
Pergunto: Será o egoísmo maléfico?
20 março 2007
DoFado
Sim, num sentido mais lato mas também mais abrangente, poder-se-á dizer que o fado comanda a vida. Não tanto no estrito sentido de de facto a comandar mas sim em relação ao incontrolável. Incluso quando esse incontrolável deriva do arbitrário actuar do homem, como aliás sempre, ou quase sempre, acontece.
Poucas são as coisas que se nos apresentam definidas. Ocorre-me a morte. Sei lá quais serão as outras. Saberão as vossas pessoas?
Na vida não há vaticínios nem profecias. Que venham os mais sábios poetas dos mais doutos oráculos, e nem assim o fado assumirá posição firme no chão do caso. Pois então do seu destino sabe cada um, e se não sabe que se diga alto e bom som, de si se depende e de si o fado brota. Lembrem-se então: cada sorte, cada agouro, cada fatalidade, cada porvir, não brota do nada. E se não brota só de quem tal lhe pertencer em quinhão, ao menos deste surde o fulcral.
Mas mal não há em que se queira acreditar nesse rumo já definido como se assim em verdade fosse… dorme-se melhor, mas chora-se o mesmo.
18 fevereiro 2007
DoAmor e DoAmar
Dizem os dicionários que amor é uma viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos e amar, ter amor a. Aflui-me na mente que de facto também neste sentimento o egoísmo se revela. O querer acalentar o que na alma nos vai dirige-nos a acções que a tal propiciem. Dai o egoísmo. Dirige-se a acção para beneficiar quem ama, ou seja o mesmo que age. Consequências podem ser o trazer benesses ao destinatário final desse amor.
Amar ou sentir amor determina comportamentos que irão nutrir a insatisfação do portador dos primeiramente referidos numa tentativa de eliminar esta última. Haveis analisado Romeu & Julieta? Pois quando parece que os actos, sobretudo os mais extremistas, são em prol do amado dá-se conta ser este um simples beneficiário (se o for).
Amar e ser amado é exemplo do bem sucedido egoísmo que move o mundo humano. Pois que a insatisfação de um e do outro que se amam é amenizada até ao adormecimento. Ambos beneficiando do egoísmo que impele cada um.
15 janeiro 2007
DaInércia
Fís., propriedade que têm os corpos de não poderem modificar, por si mesmos, o estado de repouso ou de movimento em que se encontram;
Por vezes assume-se ser este o estado em que se encontra. Como se não houvesse responsabilidade a atribuir perante o estado das coisas. Como se existisse algo exterior a quem de direito e que só essa entidade pudesse alterar a condição em que esse se encontra absorto. Em estados assim pode o egoísmo surgir como catalizador proporcionando o agarrar da responsabilidade negada, bem como a inquietude a esta acoplada. Vinda ela da insatisfação do saber das possibilidades e as não perseguir.
Ao sabor do vento andam os dentes de leão. E o ser humano, assumido como superior, a tal não se pode dar o luxo.
O egoísta, imbuído de insatisfação, desprovido de inércia, define o seu rumo. Indaga e busca as possibilidades, desejando acalentar seu desassossego.

